segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O ESCÂNDALO DA CRUZ - POR PR MANOEL B. MOURA JÚNIOR

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (1 Co 1.23-25) ARA.
A Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo é ainda hoje tema de debates científicos e filosóficos entre os religiosos, médicos, filósofos, teólogos, etc. todos de alguma forma tentam buscar um sentido e explicar o porque que Jesus morreu de forma tão brutal. Nesta mensagem quero mostrar o real valor que devemos dar a morte e a ressurreição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Crucificação – palavra que vem do latim cruci figo, “cravo numa cruz”. No NT é sempre empregado o verbo estauroo, “cravo”, que se deriva do stauros, “estaca”.  O stauros era originalmente uma estaca apontada empregada nas fortificações, e quando começou a ser usado como instrumento de tortura ou punição, a vitima ou era amarrada a essa estaca, da qual ficava pendurada pelos braços ou então atravessado pela mesma no peito, ou espetado longitudinalmente, começando pelo anus e saindo pela boca. Esta ultima referencia salienta variações dessa tortura que foram inventadas. Como variação foi adicionada uma travessa (partibulum), a qual a pessoa podia ser amarrada ou cravada: a invenção dessa pratica cruel é tradicionalmente atribuída a Semíramis (Semíramis foi uma bela rainha mitológica que segundo as lendas gregas e lendas persas reinou sobre a Pérsia, Assíria, Armênia, Arábia, Egito e toda a Ásia, durante mais de 42 anos, foi fundadora da Babilônia e de seus jardins suspensos. Subiu ao céu transformada em pomba, após entregar a coroa ao seu filho, Tamuz). Embora também seja reputada como prática de origem fenícia. Há evidencia de seu emprego na Persia, nos séculos V e VI a.C.
Entre os judeus, enforcamento ou crucificação parece só terem sido praticados após a ocorrência da morte, com o proposito de expor (Dt 21.22,23): conforme o Tratado sobre o Sinédrio e a Jurisprudência Criminal do Talmud (vi. 4), esse tratamento era aplicado somente aos culpados de idolatria e blasfêmia. Entretanto, em seus excessos de 167 a 166 a.C., Antioco Epifanio crucificou aqueles que se recusaram a desconsiderar sua antiga religião, enquanto que o rei macabeu Alexandre Janeu após uma insurreição em c. de 88 a.C., crucificou 800 farizeus liderantes. Em 4 a.C. , o general romano Varo, segundo se diz, crucificou 2.000 insurgentes, e foi a crucificação de 3.600 judeus, por Floro, em 66 d.C., que precipitou a rebelião. Durante o cerco de Jerusalém por Tito (70 d.C.), tantos foram crucificados que houve falta tanto de madeira como de espaço para as cruzes.
Três espécies de cruzes são conhecidas dos escritores antigos: a crux decussata ou cruz de St André (em forma de X), a crux comissa ou cruz de St Antonio (em forma de T), e a crux immissa ou cruz latina (em forma de +). A cruz grega, em que a travessa fica mais ou menos no meio do poste vertical, e que tem a mesma dimensão que este, é de origem posterior. O fato que o titulo foi afixado acima da cabeça de Jesus (Mt 27.37; Lc 23.38) parece que ele sofreu na crux immissa, que a tradição transformou no símbolo cristão.  Por esse método a morte era usualmente bastante prolongada, raramente ocorrendo antes de trinta e seis horas, e em certas ocasiões levava até nove dias: por isso o centurião e quatro soldados foram postos de guarda para impedir a retirada de Jesus da cruz (Mt 27.54; Jo 19.23). a dor era obviamente intensa, visto que o corpo inteiro ficava sujeito a tensões, enquanto que as mãos e os pés, que são nervos e tendões, perderiam pouco sangue. Depois de algum tempo as artérias da cabeça e do estômago ficavam regurgitadas de sangue, causando uma dor de cabeça lancinante, e finalmente a febre traumática e o tétano se manifestavam. Quando, por qualquer razão, era proposto livrar a vitima de seus intensos sofrimentos antes do fim, como que para compensar pelo sofrimento abreviado, as penas eram quebradas com golpes de cassetetes de madeira ou martelo, e o golpe de misericórdia era dado com uma espada ou lança, usualmente no lado da vítima.  Assim sofreu o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele intercedeu pelos pecadores que lhe crucificaram e por aqueles que provocaram a sua morte. 
A mensagem desta noite tem apenas 5 pontos e quero ir diretamente para eles agora.
1.       O homem que é zombado como rei é de fato Rei dos reis e Senhor dos senhores (Mt 27. 37,42b).
Ele foi zombado, cuspido, escarnecido pelos soldados romanos. O que aconteceu na verdade foi um espetáculo de crueldade e violência humana. O nosso Cristo sendo o senhor do universo foi exposto ao escândalo por amor a você e a mim. Os soldados tiraram as vestes de Jesus, cobriram-no com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e puseram na cabeça dele e, na sua mão direita um caniço; e ajoelhando-se diante dele escarneciam dizendo: “Salve, rei dos judeus”. Cuspiram nele, bateram com o caniço em sua cabeça, levaram o Rei dos reis para ser crucificado (Mt 27.27-31).

2.       O homem que está totalmente sem poder é o eterno onipotente (Mt 27.32-40).
O que o evangelista Mateus relata é algo comovente e ao mesmo tempo revoltante. Alguém pode perguntar: “Se Jesus de fato é todo poderoso porque não usou seu poder para livrar-se de tal brutalidade?”, Mateus nos mostra por meios de seu evangelho que Jesus não lutou em nenhum momento, não procurou se defender, sabia o nome de todos os seus torturadores, podia rogar ao Pai pedindo uma legião de anjos em sua defesa, mas ele não pediu. Todos zombavam dele na cruz “Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo”, o homem que agora está cravado no madeiro aparentemente é alguém sem poder algum, ele está completamente nu, ferido e machucado, na verdade ele parece mais um criminoso do que um Deus onipotente. O mais importante disso é saber que a sua fraqueza era o único meio de nossa força e poder (1Co 1.18,23-25).
3.       O homem que não pode salvar a si mesmo salva os outros (Mt 27.41-42).
A zombaria continua nos versículos 41 e 42: “De igual modo [ou seja, com um escarnio semelhante] os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo diziam: salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz e creremos nele”. Diante de Jesus estavam milhares de pessoas que não somente presenciaram seus milagres e seu poder como também pessoas que foram alvo dos milagres de Jesus. Ali estavam os enfermos que ele curou, os cegos que ele fez enxergar, os coxos e paralíticos que ele fez andar, os mortos que ele ressuscitou, a multidão que ele alimentou, o centurião que o reverenciou, seus discípulos, Caifás, Nicodemos e toda a cúpula sacerdotal também estavam lá. Ele tem o poder de salvar os outros mais não pode salvar a si mesmo? Era necessário que o nosso Cristo padecesse desta forma (Is 53.2-12).
4.       O homem que clama em desespero confia em Deus (Mt 27. 43-51ª).
Parece uma ironia dizer que o homem que clama em desespero confia em Deus. Como alguém pode confiar em pleno desespero? Ainda escarnecendo os principais sacerdotes, mestres da lei e anciãos clamaram: “Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou filho de Deus”. Com ironia e sarcasmo diziam tais palavras em tom de gozação, desprezo e humor sarcástico. Até os dois ladrões que estavam para morrer da mesma forma se uniram com os demais para zombar dele. Jesus em desespero clama: Eli, Eli, lamá sabactâni o que quer dizer: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? alguém deu-lhe vinagre para beber, outros diziam: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo. Jesus entrega o espírito e morre (Mt 27.49,50).
5.       O homem que foi, surrado, cuspido, escarnecido, agredido e escandalosamente morto, ressuscita gloriosamente.
Qualquer analise dos sofrimentos de Cristo deve refletir uma consciência de que Jesus sofreu como um homem e ressuscitou como homem e como o filho de Deus. Todo o seu sofrimento como homem envolvia sua vulnerabilidade ao tormento físico e psicológico – a vulnerabilidade que compartilhamos. A diferença do sofrimento de Cristo para o nosso é que ele não tinha pecados, nós somos pecadores, ele é justo, éramos injustos, a morte dele foi u único meio para remir os nossos pecados e nos salvar da condenação eterna, a nossa morte é apenas um descanso. Ele ressuscitou ao terceiro dia gloriosamente selando completamente a nossa união e reconciliação com o Pai. Ainda que a morte de Jesus Cristo seja um escândalo pela forma brutal que ele morreu, nesta hora devemos nos gloriar nEle pois pelas suas pisaduras fomos sarados, na sua morte recebemos a vida e vida em abundancia, o escândalo da cruz é a glória do Cristão e do cristianismo, portanto regozijemo-nos em seus sofrimentos e proclamemos a sua Glória ao mundo. O escândalo da cruz deve ser nossa alegria, vida e mensagem pois foi esse escândalo que nos concedeu a Eleição, a Reconciliação, a Adoção, e a presença constante do Espírito Santo.
Não podemos nos envergonhar do Evangelho, pois ele é o poder de Deus para a nossa Salvação!  - Soli Deo Glória.   

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