A Alegria da Unidade – Filipenses 2.1-11
A desunião é o perigo que ameaça a igreja
A desunião é o perigo que ameaça a igreja, principalmente aquela que está crescendo e se desenvolvendo. A igreja de Filipos possuía qualidades excelentes. Era uma igreja generosa (Fp 1.5; 4.10) e firme no Senhor (Fp 4.1). A comunidade sofria com a desunião e a desarmonia interna promovida por alguns cristãos. Paulo exorta os irmãos ao amor fraternal e á humildade. Ele inicia a sua exortação, Filipenses 2.1-2, apelando com quatro argumentos:
a) Se há ou existe alguma motivação em Cristo, pare sermos unidos,
b) Se há em Cristo algum encorajamento para amarmos uns aos outros;
c) Se existe alguma comunhão produzida pelo Espírito que nos leve a união;
d) Se vocês tem experimentado das ternas misericórdias e compaixão de Cristo completem a minha alegria, sendo unidos, humildes e solícitos.
Após o apelo, Paulo apresenta Jesus Cristo como o modelo a ser seguido.
1. Causas da Desunião – Fp 2.3,4
Paulo apresenta as três grandes causas da desunião que prejudicava a igreja em Filipos:
Projeção pessoal (v.3.)
Nada façais por partidarismo ou vanglória (2.3). Alguns irmãos faziam as coisas na igreja por ambição egoísta ou vanglória, buscando, não o melhor para a igreja, mas para si próprios. Isso gerou divisões, facções e partidos em Filipos. Foi o mesmo problema enfrentado por Paulo com os irmãos da igreja em Corinto (1Co 1.10-13). Isto acontece ainda hoje. Muitas vezes fazemos as coisas na igreja para projetar a nossa imagem. Queremos ser vistos e elogiados pelas pessoas. Queremos vender nossas imagem de espirituais, competentes e insubstituíveis.
Prestígio pessoal (v.3)
O prestigio pessoal é uma tentação. Ser bajulado, respeitado e bajulado é a meta de alguns. Este é filho da soberba espiritual, que leva uma pessoa a se achar superior aos outros (Mt 23.1-7). Jesus combateu este pecado de forma veemente. Na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14), ensinou que quem se julga superior ao outro é alguém que confia em si mesmo, por se considerar mais justo ou melhor do que o outro. Jesus afirma que Deus resiste aos soberbos, mas recebe aos humildes. Ele declara: “Todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado”.
Interesse pessoal (v.4)
Este é o pecado do egocentrismo. Este leva a pessoa a buscar sempre, e em primeiro lugar, o seu próprio interesse. O egocentrismo de alguns produzia uma espécie de competição entre vários irmãos de Filipos (Fp 4.2). Em síntese, podemos dizer que o orgulho era a raiz de todos os conflitos e desarmonias existentes na igreja. O orgulho motiva a busca da projeção pessoal, do prestigio pessoal e do interesse pessoal. O orgulhoso sempre diz para Deus “Não preciso de você, eu sou o time”.
2. Remédio para a Desunião
Paulo apresenta três medicamentos para curar a doença da desarmonia e da desunião.
Unidade (v.2)
A unidade da igreja emana da sua união com Cristo (Jo 17.21). Esta unidade é atacada pelos inimigos (a carne, o mundo e o diabo) da igreja. Por isso cada crente deve lutar para preservar a unidade (Rm 12.5,12; 1Co 1.10; 2Co13.11; Gl 3.28; 1Pe 3.8-12). Precisamos reconhecer a nossa unidade em Cristo e precisamos viver em Paz uns com os outros, e trabalharmos juntos para o desenvolvimento da igreja (1Co 11.17-22). Tal tarefa envolve nossa mente e toda a nossa disposição interior (Fp 1.27,28). Lembre-se (133). A união familiar é de vital importância para uma igreja unida, se o lar é um lugar de desunião a igreja (templo) também o será.
Humildade (v. 3)
Unidade não se realiza sem humildade. A ambição egoísta e a vanglória de alguns irmãos denotavam a unidade da igreja. O remédio é a humildade, virtude que leva o irmão a considerar primeiro o outro, em detrimento de si mesmo. A pessoa humilde aceita servir sem se preocupar com quem receberá a honra. Por isso, não podemos separar humildade do amor (1Co 13.4,5). Paulo havia crescido na escola da humildade e se colocava como um exemplo a ser imitado (1co 11.1; Ef 3.8; 1Tm 1.15).
Solicitude (v.4)
Paulo apresenta a solicitude como uma virtude que leva a pessoa a buscar não somente os seus interesses, mas também os interesses dos outros. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão cada qual o que é dos outros (Fp 2.4). A solicitude é uma virtude que revela a maturidade espiritual (Rm 15.1,2). É uma expressão do verdadeiro amor cristão (Mt 19.19; Jo 13.34).
- O Exemplo de Jesus
Após apresentar uma exortação, Paulo apresenta o modelo ou referencial de unidade, humildade e solicitude: Jesus. O mandamento apostólico: Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (v.5). Jesus é o nosso exemplo (Jo 13.12-17; 13.34; 21.19; 1Pe 2.21-23). Paulo apresenta Jesus, uma única pessoa com suas duas naturezas: Ele era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Jesus, em sua encarnação, não deixou de ser Deus, mas assumiu uma humanidade perfeita (Jo 1.1,14). O objetivo da sua encarnação foi à obra da redenção do homem (Hb 2.14-18; 4.14-16). Ele se fez homem para morrer. O objetivo de Paulo, porém, não é discutir a divindade e a humanidade de Jesus, mas apresentá-lo com exemplo a ser seguido por cada cristão. Ele é o nosso modelo de humildade e renúncia para beneficio dos irmãos. A melhor forma de esboçarmos estre trecho, é olhando para os aspectos ou fases do ministério de Jesus: Humilhação e Exaltação.
Estado de Humilhação (2.5-8)
O estado de humilhação compreende a vida de Jesus desde a sua encarnação até à sua morte. Paulo destaca:
1) Jesus, esvaziou-se de seu status de Deus (Fp 2.6)
Jesus sendo Deus, não teve dificuldades em abrir mão dos seus privilégios da divindade (2.6). A divindade de Jesus jamais foi abandonada. Deus jamais poderia deixar de ser Deus (Jo 1.1) E o atributo que revela a deidade de Jesus é a sua eternidade (Cl 1.15-17; 2.9). Jesus é eterno (Ap 1.8 e 18).
2) Jesus se fez homem (Fp 2.7)
Este é o ato da encarnação (Jo 1.14). o Criador se fez criatura. Paulo usa as expressões semelhança de homens e reconhecido em figura humana, para destacar a natureza humana de Jesus e também a sua aparência humana (1 Jo 4.2,3). Jesus assumiu a forma humana, sem pecado (Hb 4.15). Ele foi homem perfeito, completamente livre de pecado (Jo 8.46; 2Co 5.21; 1Pe 2.22; 1Jo 3.5). Jesus nunca pecou, mas sempre foi tentado.
3) Jesus renunciou ás suas riquezas (Fp 2.7)
Pelo fato de ser Deus, Jesus é dono de tudo. Ele, porém, se fez servo ou escravo, perdendo temporariamente todos os privilégios de desfrutar de tudo o que possuía. Olhando para a nossa situação, ele se fez pobre, temporariamente para fazer-nos ricos (2Co 8.7). Durante a sua vida neste mundo, do seu nascimento à sua morte, ele foi pobre. Ele nasceu numa manjedoura e foi enterrado num tumulo emprestado. Nunca possuiu nada deste mundo. Viveu de forma simples e paupérrima (Lc 2.7; 10.58; 23.52,53).
4) Jesus renunciou à sua glória celestial (Fp 2.7)
No seu status de Deus, Jesus é pleno de glória. Na encarnação, Ele teve que abrir mão da sua glória a fim de habitar conosco (Is 53.3). Ao chegar ao termino da sua obra, Jesus pediu ao Pai a glória que possuía antes da encarnação (Jo 17.5).
5) Jesus renunciou o exercício da sua autoridade ou poder (Fp 2.8)
Durante a sua vida e ministério, Ele poderia ter usado as suas prerrogativas de Juiz e Senhor. Simplesmente, ele obedeceu, procurando fazer sempre a vontade de Deus (Jo 5.30; 14.24). ninguém poderia tirar a vida de Jesus se Ele, espontaneamente, não a tivesse dado (Jo 10.18). Ele morreu porque quis. Ele foi obediente ao Pai, até à morte, e morte numa cruz. Ele morreu de forma dolorosa, maldita e ultrajante (Jo 19.17,18,31; Dt 31. 21.23; Gl 3.13).
Estado de Exaltação (2.9-11)
O estado de exaltação de Cristo inicia-se com a sua ressurreição, passa por sua Ascensão e culmina com a sua glorificação. Paulo relaciona a exaltação com a humilhação: Por isso Deus o exaltou (Fp 2.9). Está é uma regra divina: Mt 23.13; Lc 14.11; 18.14; Tg 4.10; 1Pe 5.6.
1) Jesus recebeu um nome que está acima de todo o nome (Fp 2.9)
Jesus recebeu o nome de Senhor (Kyrios), o Deus exaltado (At 2.36; Rm 10.9) e Rei vitorioso (1Co 15.24,25; Ap 19.16). Senhor é o nome ou a posição que está acima de todo nome (Rm 9.5). Ele é verdadeiro Deus (1Jo 5.20). O nome expressa caráter, a reputação, a dignidade, a posição, a obra e poder da pessoa. O nome de Jesus está acima de toda criatura em todo o universo.
2) Jesus receberá o reconhecimento e adoração de todos (Fp 2.10)
O propósito da exaltação de Jesus é a sua adoração: para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho. Em sua segunda vinda, Jesus será adorado por todos os seres inteligentes do universo:
a) No céu, anjos e todos os seres redimidos que já morreram (Ef 1.21; Ap 4.8-11 e 5. 8-12);
b) Na terra, por todos os seres humanos (1Co 15.40);
c) Debaixo da terra, todos os seres humanos e anjos maus que estão no lugar de tormento (Ef 4.9).
3) Jesus será confessado por todos (Fp 2.11)
O clímax da exaltação de Jesus é que ele será confessado e reconhecido por todos: Jesus Cristo é o SENHOR (Rm 10.9; Ap 17.14 e 19.16). O proposito final da exaltação de Jesus é a glória de Deus Pai: E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.11).
Deus abençoe você, a sua família, seu ministério, sua igreja...
Feliz Ano Novo na benção de Deus.
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