Lição 04: A Prosperidade em o Novo Testamento
Por Pr Manoel B. Moura Júnior
Texto Áureo: “Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17)
Verdade Prática: O conceito de prosperidade em o Novo Testamento vai muito além da aquisição de bens terrenos; ele está fundamentado nas promessas do Reino de Deus na época vindoura.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: 2 CORÍNTIOS 8.1-9 ARC
INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO
O ponto de vista do At e do NT é que a riqueza é uma benção da parte de Deus. Abraão é um exemplo típico de homem rico e temente a Deus (Gn 13.2). Os salmistas celebraram as bênçãos materiais (Sl 1.3; 112.1,2). Deus é beneficente, as riquezas materiais são uma consequência de sua “liberalidade”: “...Deus que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” 1Tm 6.17. Nesta lição vamos estudar sobre a prosperidade em o NT e quero com a Graça de Deus mostrar a diferença entre a verdadeira riqueza e a falsa, a generosidade e o egoísmo, da verdadeira e da falsa prosperidade, veremos a diferença do cristianismo bíblico e prospero e do cristianismo de consumo.
O que quero dizer com cristianismo de consumo? Em termos gerais, é qualquer tentativa de construir o Reino de Deus ou edificar o cristão individual (ou atrair o convertido potencial ao cristianismo) por meios e métodos que apelam à carne – ou seja, o coração enganoso e egoísta do homem. O começo de tal cristianismo consumista foi no jardim do Éden quando Satanás manipulou Eva para que desobedecesse a Deus, deixando que ela cresse, no entanto, que estava aperfeiçoando a si mesma (Gn 3.1-6).
Especificamente relacionado com o que está acontecendo hoje em dia, o cristianismo de consumo é um esforço para ajudar igrejas cristãs a crescerem em tamanho e a se tornarem eficientes através da aplicação de princípios comerciais, estratégias de marketing e conceitos de gerenciamento. Esse é o empreendimento mais popular do cristianismo atual, fato bastante estranho, até mesmo preocupante, para qualquer pessoa que tenha entendimento de “consumismo” e “cristianismo”. Por quê? Porque esses dois termos são antagônicos.
Consumismo, no senso de negócios, é um conceito baseado em satisfação do freguês, a qual é a chave para qualquer transação comercial de sucesso. O produto ou serviço oferecido deve ser ajustado aos desejos e necessidades expressas pelo freguês, ou não haverá lucro sustentável. O freguês sempre tem razão, porque onde não há freguês, não há lucro e, portanto, não há transação comercial.
Deus reina no cristianismo bíblico. A Sua revelação para a humanidade são “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1.3). Cristianismo bíblico é simplesmente tudo o que a humanidade necessita saber para ser reconciliada com Deus, para fazer a Sua vontade diariamente e para viver com Ele por toda a eternidade. Não é uma estratégia de marketing e, de fato, não tem nenhuma associação ao mundo de negócios e seus conceitos.
Qualquer tentativa de aperfeiçoar a prática do cristianismo bíblico através de princípios comerciais está, no melhor dos casos, adicionando metodologias fúteis à Palavra de Deus. No pior dos casos, tal tentativa rejeita a suficiência das Escrituras em favor das obras da carne, apaga o Espírito Santo e sujeita aqueles que assim procedem ao serviço do deus deste mundo, a serem enganados por ele e, finalmente, a se tornarem seus escravos. De qualquer modo, leva à destruição espiritual na igreja e tem consequências eternas. A igreja do NT nos revela a verdadeira prosperidade e a diferença entre o cristianismo de consumo e a verdadeira riqueza.
I. A PROSPERIDADE NO NOVO TESTAMENTO É ESCATOLÓGICA
1. Prosperidade e consumo.
Etimologia dos termos:
PROSPERAR: tsãleah: “Ter sucesso, prosperar”. Esta palavra é encontrada no hebraico antigo e moderno. Ocorrendo umas 65 vezes no texto do AT hebraico, a palavra é achada primeiramente em Gn 24.21: “Para saber se o Senhor havia prosperado a sua jornada ou não”. Esta palavra expressa a ideia de aventura bem sucedida em contraste de fracasso. A fonte de tal sucesso é Deus: “E, nos dias em que buscou o Senhor, Deus o fez prosperar (2Cr 26.5). a despeito disso, as circunstancias da vida levantam a questão: “Porque prospera o caminho dos ímpios?” (Jr 12.1). Ás vezes, tsãleah é usado de modo tal a indicar “vitória”: “E neste teu esplendor cavalga prosperamente” (Sl 45.4; sendo mais apropriado a tradução “cavalga vitoriosamente”).
PROSPERIDADE: euporia (euporia), primeiramente “facilidade” (formado de eu, “bem”, e poros, “passagem”), por conseguinte, “plenitude, riqueza”, ocorre em At 19.25. contraste com o verbo euporeõ, ser bem provido a subsistência de prosperar”, usado em At 11.29.
CONSUMO: O termo consumo dapanaõ denota: “Gastar, usar, consumir”, (a) em sentido negativo: desperdiçar, dissipar (Lc 15.14; Tg 4.3); (b) em sentido positivo: “Eu, de muito boa vontade, gastarei e me gastarei pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (2Co 12.15). O cristianismo de consumo está no centro do movimento de crescimento de igrejas e seu efeito letal pode ser encontrado em quase todas as denominações (também pseudo-cristãs). Muitas igrejas evangélicas têm se entregado de coração a uma estratégia de marketing designada primeiramente a atrair os perdidos, que são vistos como fregueses em potencial. À medida que os não-cristãos frequentam os cultos e se misturam com os membros (novos e mais antigos), não se pode evitar que o conceito de consumismo se espalhe por toda a congregação. Inevitavelmente, isso afetará a pregação, o louvor, a Escola Dominical, as programações, etc., o que, por sua vez, produzirá uma falta de profundidade através da igreja inteira. Frequentemente, as estratégias de marketing têm tido sucesso em adicionar números a uma congregação. Dezenas de milhares de pastores no Brasil e internacionalmente têm sido influenciados por ministérios altamente populares, colocando em prática metodologias de marketing usadas por eles, visando ganhar almas e aumentar o número de membros em suas igrejas. O que contamina esses ensinos é a falsa promessa de enriquecimento fácil e prosperidade. A Bíblia o não podemos servir a Deus e a mamom (Mt 6.24).
2. Prosperidade e futuridade.
A prosperidade que é apresentada pelo comentarista José Gonçalves neste tópico indica que os discípulos de Cristo e os cristãos da igreja primitiva eram incentivados a buscarem as riquezas celestiais. O caso relatado em Marcos 10. 16-30), revela a essência do jovem rico: Ele era egoísta e avarento. Nada pode substituir o lugar que pertence a Deus! Aquele Jovem era um zeloso guardador da lei, observava os sábados, dava seus dízimos, dizia que amava a Deus, etc. A atitude do jovem diante da ordem de Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me”, observe a atitude do jovem rico: “Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades” (Mc 16.21,22). Jesus não estava estabelecendo condições para a salvação do jovem rico, mas, em vez disso, expondo o verdadeiro coração do jovem. Tal atitude revela duas coisas: 1) ele não era irrepreensível no que se referia à lei, porque era culpado de amar a si mesmo e suas posses mais do que a seu próximo (cf. v. 19); e 2) ele carecia de uma fé verdadeira que envolve uma disposição de entregar tudo de acordo com o pedido de Cristo (Mc 16.24). Jesus não estava ensinando salvação por meio da filantropia, mas estava exigindo que esse jovem desse a Jesus o primeiro lugar. A verdadeira prosperidade do jovem estava em ele reconhecer e obedecer ao senhorio de Cristo e tal obediência nos mostra que a verdadeira riqueza e prosperidade está reservada para nós nas manções celestiais.
II. A PROSPERIDADE EM O NOVO TESTAMENTO É MAIS UMA QUESTÃO DE SER DO QUE TER
1. Tesouros na terra.
Este tema sobre o acumulo de riquezas na terra e vida simples caminha por uma linda muito tênue nos dias de hoje. Os defensores da pobreza dizem exageradamente que o cristão deve ser pobre e viver pela fé. Outros defendem que o cristão foi chamado para ser rico, poderoso, conquistar financeiramente tudo o que quiser nesta terra. Jesus estabelece um caminho de maturidade quando a possessão de bens nesta terra. Porque Jesus se preocupou tanto com este assunto? É maravilhoso observar como Jesus considera o dinheiro e o que fazemos com ele. Randy Alcorn reconhece que “15% de tudo que Cristo disse se relaciona com esse assunto – mais do que todos os seus ensinamentos acerca do céu e do inferno”. Reflita nestas palavras de Jesus acerca do dinheiro e de assuntos relacionados ao estilo de vida:
“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me”. (Marcos 10:21)
“E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação”. (Lucas 6:20,24)
“Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14:33)
“Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”. (Lucas 18:25)
“E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”. (Lucas 12:15)
“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus 6:33)
“Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói”. (Lucas 12:33)
“E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão”. (Lucas 19:8-9)
“Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo”. (Mateus 13:44)
“E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva” (Lucas 21:2-3)
“Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”. (Lucas 12:20-21)
“E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. (Lucas 9:58)
Porque Jesus se preocupa com o que fazemos com o dinheiro? O motivo, ao que me parece, é o principio formulado por ele mesmo: “...onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.21; v. Lc 12.34). o dinheiro é importante porque a maneira em que lidamos com ele indica onde nosso coração está ou para onde nossa adoração é dirigida. Quando o coração se apega a alguma coisa, ele a valoriza estima e ama. Quando isso acontece de forma que lava a pessoa a amar mais o que possui do que a Cristo isso se chama “adoração aos bens e aos tesouros terrenos”. O Problema não está em ser rico e sim em ser adorador da riqueza.
É PECADO SER RICO E PROSPERO MATARIALMENTE?
Já está mais que provado que riquezas são dadivas de Deus para os seres humanos. O Grande problema está em interpretar erroneamente o texto bíblico como faziam alguns da época de Jesus. Muitos achavam que quanto mais rico a pessoa era mais abençoado e salvo ele seria, o que Jesus condenou. Jesus disse que deveriam acumular tesouros no céu onde nenhum ladrão pode roubar. Ser amante do dinheiro é agir de maneira que fere os princípios da palavra de Deus. Jesus condena uma atitude ímpia e idolatra como também os frutos do amor as riquezas.
Jesus condena:
O egoísmo - Lc 18. 23, o jovem rico não abriu mão da riqueza porque era egoísta.
A soberba e a insensatez - Lc 12.18,19, este homem em sua soberba e insensatez perde a sua alma.
O orgulho – Lc 18.9-14, o fariseu foi reprovado por causa de seu orgulho carnal.
A avareza – Mt 6.24, Jesus condena a adoração ao dinheiro.
A indiferença e o egoísmo – Lc 16.19-31, Jesus deixa bem claro que o que condenou o homem rico foi o egoísmo e a indiferença.
Tudo o que Jesus condena está ligado literalmente ao egoísmo. Qualquer cristão rico não peca por ser rico e sim por deixar o egoísmo, a soberba, o orgulho e a avareza dominar seu coração.
2. Tesouros no céu.
Estudamos no tópico 1 do capitulo II sobre as advertências de Jesus sobre perigo de amar as riquezas e ajuntar tesouros na terra. Agora vamos estudar os métodos estabelecidos por Cristo sobre como entesourar riquezas no céu.
Como acumular tesouros no céu?
Jesus disse: “Vendam o que têm e dêem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, aonde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói”. (Lucas 12:33) NVI. A palavra chave aqui é generosidade benevolente. Precisamos ser generosos para com o próximo mesmo que esse próximo seja um inimigo. Essa generosidade me revela as riquezas dos atributos do amor ágape que precisamos desenvolver de forma horizontal nos relacionamentos interpessoais. As expressões “bolsas que não se gastem com o tempo” e “tesouros nos céus” são metáforas da recompensa celestial – a plenitude de alegria que teremos no céu. Essa medida é determinada pelo mandamento de amar o próximo como a si mesmo. Os tesouros que acumulamos nos céus não são ajuntados aqui na terra. Para acumular tesouros nos céus precisamos abrir mão de nosso egoísmo, compartilhar nossas posses com os necessitados, desenvolver em nós o fruto do Espírito descrito em Gálatas “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei”. (Gálatas 5:22-23)
O Dr Boyd fez uma analise do fruto do Espírito apontando o amor como o aspecto mais exaltado desse fruto.
Amor encabeça a lista como a raiz que nutre todas as demais virtudes.
Alegria é o amor que obedece com jubilo. Paz é o amor que descansa em Deus.
Longanimidade é o amor que sofre sem reclamar. Benignidade é o amor que mostra compaixão.
Bondade é o amor agindo generosamente. Fé é o amor que confia totalmente em Cristo.
Mansidão é o amor que se acalma nas provações. Temperança é o amor que mantem o equilíbrio e controla nossas emoções.
Tudo isso serve de base na afirmação de que quanto mais generosos somos, acumulamos tesouros nos céus. Precisamos também entender que tal generosidade acompanhada de sacrifício mostra que nos libertamos da escravidão dos bens materiais. O desapego é o foco de Jesus em suas mensagens.
III. A PROSPERIDADE EM O NOVO TESTAMENTO É FILANTRÓPICA.
- Uma igreja com diferentes classes sociais.
As várias classes de pessoas existentes na igreja em Jerusalém eram formadas por “Judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu, partos, medos, elamitas, e os naturais da Mesopatâmia, Judéia, Capadócia Ponto e Ásia, da Frigia, da Panfília, do Egito, e da região da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que residiam ali, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios” (At 2.5,9-11). A igreja que de Jerusalém era composta de 120 crentes que logo após receberem o dom do Espírito Santo saíram e proclamaram as maravilhas de Deus com ousadia. Aquele dia é o dia da conferencia internacional de judeus espalhados por todos os países distantes de Jerusalém e se encontravam ali para comemorarem o pentecostes a festa judaica. Nesse dia a igreja agregou quase 3 mil novos convertidos que arrependidos clamam por salvação. Os ricos foram orientados pelos apóstolos a venderem suas propriedades e a compartilharem com os necessitados e pobres a fim de que houvesse igualdade na comunidade cristã “Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade”. (Atos 2:41-45 NVI)
“Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. Com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus, e grandiosa graça estava sobre todos eles. Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um. José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa encorajador, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos” (Atos 4:32-37 NVI)
“Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento. Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: "Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra". Tal proposta agradou a todos. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timom, Pármenas e Nicolau, um convertido ao judaísmo, proveniente de Antioquia. Apresentaram esses homens aos apóstolos, os quais oraram e lhes impuseram as mão. Assim, a palavra de Deus se espalhava. Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes obedecia à fé”. (Atos 6:1-7 NVI)
A obra de filantropia na igreja era uma realidade em todos os seus aspectos. Os apóstolos se preocupavam tanto com a vida espiritual da mesma forma que se preocupavam com a vida material dos crentes de sua época. Fé e generosidade estão presentes em todo o contexto da história da igreja primitiva. Os versículos 32-37 de Atos 4 contêm um novo resumo do caráter da primitiva comunidade cristã semelhante ao de 2:42-47. Uma das características principais dessa igreja cheia do Espírito era a unidade, o sentimento de união que se manifestava na partilha dos recursos materiais.
Para suprir as necessidades dos cristãos pobres, os crentes mais ricos vendiam terras ou casas e traziam o dinheiro para que fosse usado em benefício de todos. Os apóstolos supervisionavam este ministério do amor, que era executada na base da necessidade pessoal e não na base da igualdade. Um cristão se destaca especialmente: José, um cristão judeu, natural da Ilha de Chipre, que tinha parentes em Jerusalém (cons. 12:12; Cl. 4:10). Seu sobrenome, Barnabé pode significar filho da consolação ou filho do encorajamento ou exortação. Tais sobrenomes eram muitas vezes dados às pessoas para indicar seu caráter.
- Não esquecer os pobres.
O pedido de Paulo feito aos demais apóstolos sobre o cuidado com os pobres em Gálatas 2.10 revela que o privilégio de Paulo como pregador do Evangelho aos gentios chama-se graça (I Co. 15:9, 10; Ef. 3:2). Os líderes de Jerusalém reconheceram esta graça estendendo a mão direita da comunhão a Paulo e Barnabé. Não foi uma mera formalidade, mas um significativo endosso da mensagem da graça livre àqueles dois que a tinham proclamado entre os gentios. Os apóstolos endossaram também a divisão do trabalho, de modo que, enviaram um grupo de evangelistas aos gentios e outro aos judeus. Entretanto, pediram aos missionários enviados ao mundo gentio que não se divorciassem dos crentes judeus - especialmente dos de Jerusalém, que eram notoriamente pobres (Rm. 15:26) – a ponto de se esquecerem de suas necessidades. A prova da boa fé de Paulo em aceitar este pedido foi que ele levantou fundos substanciais entre as igrejas gentias para essa gente (I Co. 16:1-4), os quais ele e outros levaram a Jerusalém por ocasião de sua última visita.
O Exemplo dos Macedônios. 2 Coríntios 8:1-8. (EXPOSIÇÃO EXEGÉTICA).
1. Em vos “fazemos conhecer” temos um verbo (gnorizo) que aparece vinte e quatro vezes no N.T, e foi usado dezoito vezes por Paulo, geralmente em ligação com alguma importante revelação (por exemplo, Rm. 16:26; I Co. 15:1; Ef. 1:9; 3:3, 5, 10; Cl. 1:27). Paulo geralmente usa o verbo didomi, "dar" com karis, graça (cons. Rm. 12:3-6; 15:15; I Co. 1:4; 3:10; Gl. 1:9; Ef. 3:2, 8; 4:7). O tempo perfeito (dada) e a preposição às torna o versículo fora do comum. As igrejas já tinham recebido um depósito da graça de Deus.
2. Tribulação (thlipsis). Veja 1:4. Muita prova de tribulação sobreviera às igrejas da Macedônia (cons. Atos 16:20; 17:5, 13; Fp. 1:28; I Ts. 1:6; 2:14; 3:3-9). Há um contraste aqui entre muita. . . Tribulação e abundância de alegria, entre profunda pobreza (lit. pobreza extrema) e riquezas Da. . . Generosidade.
3-5. Estes versículos constituem uma sentença, cujo principal elemento se encontra em deram-se a si mesmos no versículo 5. A "generosidade" (8:2) dos macedônios desenvolve-se assim: 1) deram sacrificialmente – acima de suas posses; 2) deram espontaneamente – se mostraram voluntários; 3) deram insistentemente – pedindo-nos com muitos rogos; 4) deram espiritualmente – deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor.
6. Como . . . assim também, veja 1:5. Fp. 1:6. Por complete (epiteleo; veja II Co. 7:1) vamos entender que esta graça de contribuir tinha de ser "concluída". Parece que (8:10; 9:2; I Co. 16:1-4) a igreja em Corinto estava demorando-se muito nessa questão da conclusão da coleta.
7. Os coríntios eram bastante proficientes em algumas graças (fé . . . palavra. . . saber. . . cuidado); mas eram bastante deficientes numa delas (nesta graça). "Falta-te uma coisa" (Mc. 10:21).
8. A palavra (epitage) traduzida para mandamento, foi usada no N.T, exclusivamente por Paulo (Rm. 16:26; I Co. 7:6, 25; I Tm. 1:1; Tt. 1:3; 2:15). Uma "ordem" não podia fazer o que a spoude ("ansiedade, sinceridade, diligência" – Arndt) dos macedônios podia fazer para provar "a sinceridade do seu amor".
B. O Segundo Motivo para Sua Conclusão: O Exemplo de Cristo. 8:9.
9. Veja as maravilhosas verdades que estão aqui: 1) conhecimento concedido – conheceis; 2) estado de renúncia – sendo rico; 3) razão oferecida – por amor de vós; 4) posição assumida – se fez pobre; 5) fonte de recursos – pela sua pobreza; 6) exaltação conferida – vos tomásseis ricos. Fp. 2:5-10. Contribuam de acordo com a magnitude de sua riqueza em Cristo Jesus.
CONCLUSÃO
A SIMPLICIDADE E A GENEROSIDADE DE WILLIAM CAREY
Que tipo de vida essa promessa produzirá naqueles que realmente acreditam nela? Encerro este comentário com uma ilustração extraída da vida de William Carey, que foi missionário na Índia. Em outubro de 1795, enquanto estava naquele país, Carey recebeu um pacote de cartas procedentes da Inglaterra, sua terra natal. Uma das cartas o criticava por ele ter se envolvido em assuntos comerciais, em vez de dedicar tempo integral a obra missionária (um trabalho frutífero que duraria mais que trinta anos, sem licença nem férias). Carey sentiu-se magoado e ficou irado com a acusação. Se não estivesse trabalhando, ele e sua família teriam morrido de fome, pois a pequena ajuda financeira da Inglaterra chegava de forma lenta e esporádica. A resposta que ele enviou expressa a vida que desejo para mim e para você e pela qual não deixo de orar:
“Tenho por princípio que, se minha conduta não for prova suficiente, não será digna de ser provada. [...] Com escasso subsídio que minha família recebe, posso apenas dizer que minha renda total, alguns meses de trabalho e muito mais são destinados aos propósitos do evangelho, para ajudar algumas pessoas na tradução da Bíblia, a fazer copias à mão, ensinar na escola e coisas semelhantes. [...] Menciono [isso] para mostrar que o amor ao dinheiro não me estimulou a buscar o plano com o qual me comprometi. Sou realmente pobre, e sempre serei, até que a Bíblia seja publicada em bengalês e hindustani, e que ao povo não falte mais instrução”.
Esse é o tipo de dedicação ao Reino, com generosidade e sacrifício, que Jesus tinha em mente quando ordenou: “Acumulem para vocês tesouros nos céus”.
Deus abençoe a todos.
Bibliografia: Bíblia de Estudo Mac Arthur, SBB; Bíblia de Estudo Shedd, Shedd Publicações; Bíblia de Estudo Aplicação Pessoa, CPAD; Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD; Comentário Histórico e Cultural do NT, Lawrence Richards, CPAD; Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos, Ralf Gower, CPAD; Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD; Comentário Bíblico Moody, Editora Batista Regular; O que Jesus espera de seus seguidores, John Piper, Editora Vida; William Carey: A Biografia, Mary Drevery, EDITORA Zodervan.

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